segunda-feira, 23 de maio de 2016

O QUEBRA CABEÇA DO GOLPE DE 2016

O QUEBRA CABEÇA DO GOLPE DE 2016
"Tem que mudar o governo [Dilma] para estancar essa sangria" (Romero Jucá)
Demorou só um pouco para que as nossas suspeitas se confirmassem. Na conversa de Romero Jucá (atual ministro do Planejamento e homem forte do governo Temer) com Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro), divulgada só hoje pela Folha, afirma-se literalmente que o impeachment de Dilma teve um único propósito: freiar a lava jato. Entre outros assuntos, a conversa também aborda a força descomunal que Eduardo Cunha exerce sobre Michel Temer, a relação carnal que boa parte do STF tem com este projeto de poder e a situação da "casta política" brasileira.
Embora a revelação não traga algo necessariamente novo para quem vem denunciando o golpe jurídico-parlamentar-empresarial em curso no Brasil, o que gera espanto é a clareza e a forma escancarada que o assunto é tratado. Além disso, a revelação contribuiu didaticamente com as denúncias que temos feito. As declarações de Jucá vão ajudando a montar um quebra cabeça cada vez mais auto evidente. Se não, lembramos:
1-) Em abril o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, destacou um ponto positivo no governo do PT. Segundo ele, "boa parte da independência atual do Ministério Público, da capacidade técnica da Polícia Federal decorre de uma não intervenção do poder político, fato que tem que ser reconhecido. Os governos anteriores realmente mantinham o controle das instituições, mas esperamos que isso esteja superado”.
2-) Essa independência e autonomia de investigação tem tudo para ser a arrefecida no governo de Michel Temer. Um primeiro sinal disso foi o fechamento da Controladoria Geral da União, órgão responsável por investigações de corrupção no governo federal, logo no primeiro dia de seu governo.
3-) Temer também nomeou Alexandre de Moraes como ministro da Justiça. Ligado aos governos do PSDB, Moraes comandava um escritório de advocacia cheio de clientes donos de empreiteiras e políticos, isso sem mencionar a sua já conhecida relação com o PCC. Moraes também já defendeu abertamente que alguns direitos não são absolutos.
4-) A Ministra do Supremo Rosa Weber notificou a presidenta Dilma Rousseff a esclarecer a declaração de que é vítima de um golpe de estado. A impressão que dá é que a Ministra busca, por força da lei, impedir a narrativa do golpe. Nenhuma novidade aqui: Nada mais natural tentar proibir que um golpe seja chamado de golpe.
5-) O novo advogado geral da União do governo Temer, Fábio Medina Osório, decidiu semana passada que vai abrir uma sindicância contra Eduardo Cardoso, ex integrante do cargo e o principal defensor de Dilma no parlamento. Segundo Cardozo, tentam com isso intimidar a defesa de Dilma e, para isso, violam o "livre exercício da atuação de um advogado".
6-) A grande imprensa brasileira bombardeou o país nos últimos dias com teses da unificação nacional, pacificação das classes, pedindo paciência, etc.
Estes seis pontos, mais a declaração de Jucá, parecem completar o quebra cabeça do golpe em curso no Brasil. Com este jogo dos sete erros claro e cristalino, parece fazer agora mais sentido uma das primeiras falas do presidente interino Michel Temer e que depois ganhou as ruas em campanhas publicitárias pelo Brasil: “Não fale em crise, trabalhe”; “Não pense em crise, trabalhe”.
Não fale em crise... não pense em crise...
Não fale.. Não pense...

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